Escolta de elite... para bicheiro

23-05-2012 20:22

 

 



Planejada durante duas semanas pela Polícia do Senado, Polícia Federal e Departamento Penitenciário Nacional (Depen), a estratégia de deslocamento do contraventor Carlinhos Cachoeira ao Senado foi modificada em cima da hora do depoimento de ontem. O bicheiro deixou a Penitenciária da Papuda no início da tarde de ontem em um camburão caracterizado do Depen, escoltado por duas viaturas da Polícia Federal que vieram em todo o trecho com as sirenes ligadas. Cachoeira chegou sem algemas, mas veio confinado em uma cela que faz parte da estrutura do camburão. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), solicitou que a Polícia do Senado fizesse a segurança no interior da Casa. Por isso, apenas 10 policiais federais participaram da operação.

O alarde das viaturas da PF chamou a atenção de helicópteros, carros e motos de equipes de televisão que seguiram o camburão que levava o contraventor até o Congresso. Tudo muito diferente do combinado nas reuniões com a equipe de segurança do Senado, que tinha acordado a escolha de um carro descaracterizado para despistar a imprensa.

Os planos da entrada discreta de Cachoeira no Senado também foram alterados, quando os responsáveis pelo esquema de deslocamento descobriram que uma equipe de tevê ficaria plantada em um dos gabinetes que funcionaria como passagem para o contraventor. Às pressas, consultaram o senador Humberto Costa (PT-PE) sobre a cessão de seu escritório para que a polícia conduzisse o bicheiro da garagem do antigo setor médico do Senado à sala da CPI. O parlamentar consentiu e poucos cinegrafistas e fotógrafos conseguiram fazer a imagem do contraventor descendo do camburão.

Desconforto

Agentes que acompanham o dia a dia de Cachoeira na prisão contaram ao Correio que duas coisas o irritaram muito na Papuda: a rotina de raspar a cabeça e o colchão da cela de 12 metros quadrados que divide com outros dois presos. O contraventor tem reclamado também da falta de "garotos de recado" para manter contato com comparsas de Goiás. Para isso, tem encontrado refúgio em jovens advogados que aceitam a missão, sonhando em fazer parte da equipe de defesa de Cachoeira.

Em uma das visitas, o bicheiro reclamou do colchão da cela e a advogada perguntou: "Você está precisando de dinheiro?", disse, sugerindo que recursos em mãos poderiam ajudar a conseguir um colchão melhor. Com medo de ter as conversas monitoradas, Cachoeira disse que não precisava. (JJ)

Fonte: Correio Braziliense